O ciberespaço é antes de qualquer coisa um ambiente virtual, a partir do qual se cria uma nova forma de enxergar as relações pessoais, a cibercultura. É preciso compreender a estrutura narrativa, a comunicação não-linear e as relações de conteúdo que existem no ambiente virtual para contribuir e orientar o acesso ao ciberespaço, principalmente às gerações mais novas que estão no centro do processo de formação da cultura digital.
O ciberespaço, como define Pierre Lévy (2000, p. 92) é como “um espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores.” Uma grande rede interconectada mundialmente que inclui “o conjunto dos sistemas de comunicação eletrônicos que permitam a transmissão de dados provenientes de fontes digitais ou destinadas a digitalização” (ibid, p. 92). Em suma, é um processo de comunicação universal pois proporciona a todos que estiverem conectados à rede participar democraticamente de um sistema interativo, “quanto mais universal,menos
totalizável ” (LÉVY, 2000, p. 119).
Atualmente podemos recorrer à formação acadêmica e aos instrumentos adequados para criar, assim, um ambiente ideal, para quem está inserido no ciberespaço, que envolve tecnologia, computadores, internet, comunidades virtuais, entretenimento on-line, interfaces, chats, jogos etc. Ou seja, o ciberespeço abrange todo o ambiente virtual em uma nova concepcão. A forma de tratarmos as soluções interativas (o que não implica apenas que tenham de estar conectadas à internet; on-line, significa uma nova maneira de pensar, trabalhar e executar uma tarefa) é o processo de multiplicação dos elementos entre a comunicação orgânica e a inorgânica (Santaella, 2004).
Na cibercultura existe um processo de construção de uma identidade híbrida e ter o omputador como uma ferramenta digital nos ambientes virtuais permite, em última instância, a formação de cultura digital, processo que envolve, entre outras questões: a multiplicidade narrativa, a diversidade das linguagens, a estrutura de conteúdo, a relação entre temas e sub-temas, a interatividade, experiências sensoriais, reações emocionais etc.
Para podermos compreender o processo do pensamento digital, precisamos acompanhar as tendências de uma nova cultura e procurar orientação em meio a evolução em curso, sem um endereço fixo, transitório, morador do ciberespaço, desterritorializado.
Em outras palavras, não estar presente não impede a existência do virtual.
A proposta não é discutir um modismo tecnológico ou trabalhar, pesquisar e estudar no computador, é pensar não-linearmente, utilizar os recursos que estão à nossa disposição, compartilhar a realidade a cada empreitada virtual. Existe a busca de algo novo a cada acesso a um ambiente, seja ele físico, real, atual, digital, virtual, de verdade ou faz de conta, é a renovação constante da linguagem.
Um dos principais autores a tratar do tema virtual é o francês Pierre Lévy. Em seu livro “O que é o virtual?”, “a virtualização é a dinâmica mesma do mundo comum, é aquilo através do qual compartilhamos uma realidade.”(1996, p. 148) Virtual, em outros conceitos, pode ser também aquilo que existe em potencial e não em ato realizado, conceitual.
A virtualização propõe a discussão sobre modelos de produção no ambiente digital e não visa trazer respostas sobre a tecnologia, mas sim ampliar as possibilidades e a maneira como pensamos a produção de conhecimento, o coletivo inteligente. “A virtualização é um dos principais vetores da criação de realidade.” (LÉVY, 1996, p. 18)


















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