O desenvolvimento de um projeto digital requer conhecimentos específicos da linguagem hipermidiática, padrão de cores, manipulação correta da imagem e outros símbolos visuais, tamanho dos arquivos disponibilizados para download, dimensão, resolução, formato (imagem, vetor, código), entre outros conceitos de interatividade, estrutura de projeto, comunicação digital e a criação de diferentes efeitos visuais compatíveis com a produção para novas tecnologias.
Grande parte da atual estrutura de conteúdo e de interfaces digitais não usufrui dos recursos tecnológicos disponíveis, o que, muitas vezes, torna ineficaz a produção de conhecimento no ambiente digital.
Em um projeto de criação visual existe a preocupação de que todos os elementos gráficos aplicados façam parte de um sistema de comunicação, que contenha conceitos e metodologia específica para projetos digitais, é necessário conhecer algumas características de produção e premissas para se trabalhar adequadamente nesse contexto.
Técnicas de manipulação, edição e remixagem de conteúdo estão incorporadas à montagem de projetos digitais e devem ser consideradas desde o início da arquitetura da obra, pensadas de maneira a integrar harmoniosamente a diagramação de uma interface que, de acordo com Lev Manovich, pelo conceito clássico, tela ou interface do computador é aquela que “separa dois espaços absolutamente diferentes e que de alguma maneira coexistem”, para que as unidades de comunicação presentes obtenham funcionalidade visual e interativa na composição.
Projetos interativos tem, na comunicação digital, a produção entendida como representação que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação e está em contínuo aprimoramento. São obras publicadas, conectadas, compartilhadas, obras abertas que ampliam os limites do discurso e as possibilidades hipermidiáticas. Com produções nas quais a metodologia de projeto é mediada pela tecnologia e baseada na montagem de composições com conteúdo manipulado, remixado e híbrido, atrelado a conceitos como:
Contemporaneidade: a contemporaneidade diz respeito aos tempos recentes.
Estamos testemunhando o desaparecimento progressivo dos obstáculos materiais que costumavam bloquear os fluxos dos signos e das trocas de informação. (Santaella, 2007)
Linguagem: sistema de signos que serve de meio de comunicação, forma de apresentação de um código. Por código, entende-se um conjunto organizado de sinais e símbolos.
Novas mídias: o domínio das novas mídias estão relacionados ao estudos dos novos objetos culturais capacitados pelas tecnologias de comunicação em rede. (Manovich, 2005)
A interatividade pode ter o grau de intensidade diferenciado de acordo com a amplitude alcançada na troca de informações, produção do conhecimento, reflexão e assimilação das questões apresentadas, relacionadas às formas de representação utilizadas para adequar a mensagem à faculdade humana de absorver estímulos externos e lidar com o ambiente (interagir com o mundo).
Estado contemplativo – passivo >> rompimento de padrões >> estado ativo – aspectos perceptivos >> deslocamento >> estranhamento >> ambientação >> participação >> inferência* >> interferência >> colaboração.
*Inferência: conhecimento ao qual chegamos a partir da experiência e, sobretudo, com o auxilio da observação e comparacão entre elementos que atraem a nossa atenção. (Ferrara, 2004)
Interatividade = comunicação + escolha
Temos, a partir das linguagens contemporâneas, a possibilidade de trabalhar a interatividade, mas segundo Steven Johnson (Cultura da Interface, 2003, p. 117) “para entender como essas novas experiências de mídia funcionam, você tem que analisar a mensagem, o meio e as regras”, desse modo alguns elementos podem ser relacionados para orientar a leitura de determinadas obras:
- link
- conteúdo
- interface
- interatividade
- roteiro
- narrativa
- imersão
- não-linearidade
- co-autoria
- fluxo de informação
- hibridismo
- remix
- polifônia
- efêmero
- obra aberta
- adequação ao suporte
- acessibilidade
- tecnologia / linguagem de desenvolvimento
- personalização (customização)
- mobilidade
- desterritorialização
A partir desses elementos podemos incorporar memórias, expertises, técnicas e métodos e pensar na interface como ”estruturas de simulação projetadas para a comunicação encontram-se com os sentidos humanos. Dessa forma, a interface na realidade virtual funciona universalmente como uma chave para a obra digital, moldando tanto a percepção como as dimensões da interação.” (Oliver Grau, Arte Virtual: da ilusão à imersão, p.226, 2007.)

















